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Os dentes podres de Elizabeth I: a Odontologia antes da ciência | Odontologia News

A rainha da Era de Ouro governou 4 décadas com dores de dente constantes — num tempo em que a "escova" era um graveto desfiado e o dentista era o barbeiro. O que a boca mais famosa do século 16 revela sobre a Odontologia antes da ciência.

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A dor por trás da Era de Ouro

Viciada nos doces que eram símbolo de status — o açúcar era o "Ouro Branco", raro e caríssimo —, Elizabeth chegou aos 40 anos com dentes escurecidos, apodrecidos e abscessos que causavam dor constante. Relatos de embaixadores estrangeiros dizem que a fala da rainha ficou comprometida; vaidosa, ela sorria o mínimo possível e cobria a boca com leques ornamentados e lenços de renda — que viraram parte do seu visual icônico.

Higiene bucal Tudor: um pesadelo

A escova de dentes só surgiria na China por volta de 1600, com cerdas de porco. Na Inglaterra, esfregava-se graveto desfiado ou pano de linho embebido em vinagre; fio dental não existia, e restos de comida ficavam presos por dias. As "pastas de dente" eram pós abrasivos de carvão, casca de ovo moída, cinzas e pedra triturada — que desgastavam o esmalte. Algumas receitas levavam açúcar: acreditava-se que ele fortalecia os dentes. Contra o mau hálito, mastigava-se cravo e canela antes das audiências.

O "dentista" era o barbeiro

Extrações eram feitas por barbeiros-cirurgiões, com alicates de metal e sem anestesia — o paciente bebia álcool para aguentar. Elizabeth, que não admitia ser vista embriagada, encarava a dor consciente. Ela adiou uma extração até um bispo anglicano arrancar um dente dele mesmo, na frente dela, para provar que era suportável. Sem assepsia, vieram novas infecções. Para a dor, restava o meimendro negro, a "erva do diabo": analgésico com efeitos alucinógenos, comum na medicina renascentista, como a beladona e o ópio.

O recado: Anestesia, assepsia, prevenção e a relação açúcar-cárie comprovada transformaram tortura em rotina segura. A história da rainha lembra o valor do que a Odontologia moderna oferece — e por que prevenção é a diferença entre reinar com dor e viver sem ela. Salve este post e compartilhe com um colega de profissão.