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O estalido não é o diagnóstico — DTM, bruxismo e a dor que custa um canal

Três confusões sobre disfunção temporomandibular fazem o dentista tratar a coisa errada, e a mais cara delas termina em canal e extração de dente sadio.

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Estalido sozinho não é disfunção. E bruxismo não é doença

O barulho na articulação, isolado, pode ser fisiológico. Ele só caracteriza disfunção quando causa dor ou quando limita o movimento de abrir a boca. E o bruxismo, ao contrário do que a prática consagrou, não é uma doença: é um comportamento, um movimento involuntário com origem no sistema nervoso central. A prova está no consultório: paciente totalmente desdentado também tem bruxismo. Ou seja, não é fenômeno do dente. Ele só se torna disfunção temporomandibular se houver dor.

Quem range desgasta e não dói. Quem aperta dói

São dois quadros diferentes e pedem leitura diferente. Quem range faz um movimento rítmico, e movimento rítmico condiciona músculo: a musculatura se fortalece, chega a hipertrofiar o masseter, e esse paciente costuma desgastar bastante o dente sem sentir dor muscular nenhuma. Quem aperta mantém contração contínua, sem descanso, e por isso dói. O apertamento também empurra dente contra dente e deforma o esmalte na cervical, o que produz abfração, expõe dentina e traz sensibilidade. Antes de atribuir a sensibilidade só à escovação, vale perguntar qual dos dois padrões está na frente.

A dor pode não estar onde o paciente aponta

Um ponto-gatilho muscular gera isquemia no tecido e um impulso doloroso que refere para longe da origem. O paciente chega apontando um dente, e o dente não tem cárie nem nada. Segundo o professor, quando o profissional não domina dor orofacial, o desfecho conhecido é tratar o canal sem necessidade, e há casos que chegam à extração. A triagem começa pela qualidade e pela intensidade da dor: a dor muscular é cansada, que queima, e fica entre quatro e cinco numa escala de zero a dez. A pulpite é pulsátil e chega a dez. A nevralgia do trigêmeo vem em choque, também chega a dez, segue o trajeto do ramo acometido e não cruza a face.

O recado: A queixa pode vir como dor perto da orelha ou na têmpora, ouvido entupido, zumbido, dificuldade de mastigar ou de falar. E a disfunção costuma ser secundária a outra coisa: osteoartrose, lúpus, fibromialgia, um trauma antigo. O caminho descrito é escalonado, do conservador ao máximo para o minimamente invasivo, com lavagem articular e ácido hialurônico, e a cirurgia como último recurso, indicação controversa e restrita a quadros degenerativos avançados. Compartilhe e marque aqui nos comentários quem vai gostar de ver essa notícia.