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Apertamento dentário no CrossFit: 61,4% relatam o hábito — e o que o estudo NÃO prova

É o que descreve um estudo observacional com cinquenta e sete praticantes, publicado no Dental Press Journal of Orthodontics. E os sinais aparecem no exame clínico antes de virarem queixa.

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Cinquenta e sete praticantes, e uma pergunta que quase ninguém faz

O estudo avaliou cinquenta e sete praticantes de CrossFit, de dezenove a cinquenta e oito anos, sendo sessenta e três vírgula quinze por cento mulheres. Para entrar, era preciso treinar no mínimo três vezes por semana havia pelo menos seis meses, e setenta e um vírgula noventa e dois por cento treinavam de quatro a seis vezes por semana. Sessenta e um vírgula quatro por cento relataram apertar os dentes durante o treinamento. É um comportamento que o paciente raramente traz espontaneamente, porque no contexto do exercício ele não parece um problema odontológico.

Os sinais estão na boca, e são fáceis de ver

Na avaliação clínica, a linha alba apareceu em oitenta e dois vírgula quarenta e cinco por cento dos participantes. Desgaste dentário em sessenta e um vírgula quatro por cento. Impressão labial em cinquenta e quatro vírgula trinta e oito por cento. Lesões cervicais não cariosas em trinta e cinco vírgula zero nove por cento. Impressão lingual em vinte e seis vírgula trinta e um por cento. E exostose óssea em dezenove vírgula vinte e nove por cento. Nenhum desses achados é exclusivo de quem treina, mas todos são visíveis num exame de rotina.

Antes de transformar isso em manchete

O desenho é observacional, com amostra pequena e sem grupo controle, e os próprios autores não encontraram correlação estatisticamente significativa entre os sinais clínicos e a intensidade do exercício. Ou seja: o trabalho descreve uma frequência alta de comportamentos bucais nesse grupo, e não prova que o CrossFit cause bruxismo. Sinal clínico também não é diagnóstico: linha alba e desgaste têm outras causas possíveis e continuam exigindo avaliação individual. Os autores pedem estudos longitudinais com grupo controle.

O recado: Duas coisas concretas. A primeira é incluir na anamnese a pergunta sobre treino de alta intensidade e sobre apertar os dentes durante o esforço, porque esse é o dado que não chega sozinho. A segunda é a orientação em saúde bucal que o próprio estudo destaca: o paciente costuma não perceber o hábito, e perceber já é parte do manejo. Compartilhe com o colega que atende atleta e marque aqui nos comentários quem vai gostar de ver essa informação.